Cutame ibne Alabás ibne Abede Almotalibe Alaximi () foi um estadista e pregador árabe.

Vida

Cutame era filho de Alabás, tio de Maomé, e Lubaba binte Alharite, uma das primeiras mulheres a abraçar o islamismo e irmão de Maimuna, uma das esposas de Maomé. Era irmão de leite de Huceine ibne Ali. Diz-se que o profeta viu Cutame enquanto ele brincava com outras crianças, notou sua semelhança consigo mesmo e o fez montar atrás dele em sua montaria. Cutame esteve presente quando o corpo de Maomé foi lavado após sua morte; ajudou a virá-lo de um lado para outro, colocou o falecido em seu túmulo e foi o último a sair da sepultura. Por isso, ficou conhecido como a última pessoa a ter tocado o profeta. Cutame transmitiu hádices de Maomé e de seu pai, bem como de seu irmão Alfadle e de Talha ibne Ubaide Alá. Dele transmitiram , e .

Durante o califado de Ali , Cutame foi nomeado governador de Medina (36/656) e, no ano seguinte, quando foi ameaçado por seus rivais ao califado — Talha, Azobair e Aixa —, fez dele governador de Meca e de Taife. Ele parece ter mantido esse cargo durante todo o califado de seu primo, tendo chefiado a Peregrinação (haje) em 38/658. Sabe-se que emitiu pareceres jurídicos (fátuas). Se opôs à nomeação de como comandante do haje em 39/659 por . Em resposta, Iázide ibne Moáuia marchou sobre Meca à frente de um exército de três mil homens. Cutame tentou mobilizar a população para impedir a entrada do exército na cidade, mas não conseguiu apoio suficiente. Iázide entrou em Meca sem resistência. Cutame reiterou sua exigência de que alguém diferente de Iázide ibne Xajara fosse nomeado para o comando do haje. Seguindo a opinião de Abuçaíde Alcudri, foi então colocado à frente da administração da peregrinação.

Durante o governo de Moáuia, Cutame participou das conquistas na região do Coração, sob o comando de . Em reconhecimento à sua bravura em combate, foi-lhe oferecida uma parte do espólio equivalente a mil quotas, mas ele afirmou que os despojos deveriam primeiro ser divididos conforme a regra do quinto e os direitos dos demais combatentes assegurados, antes que se reservasse uma parte para ele. Quando invadiram a Transoxiana em 56/676, foi morto ou faleceu de morte natural durante o cerco de Samarcanda em 57/677. Atabari não faz menção à morte de Cutame em seu relato dessa campanha, e Iacubi e afirmam que ele, na verdade, morreu em Marve.

conjecturou que esse culto foi provavelmente promovido por sua família, os abássidas, quando estes chegaram ao poder. É, contudo, igualmente possível que algum culto pré-islâmico existente na Soguediana tenha sido islamizado e transformado no culto de Cutame. Nas inscrições dos edifícios posteriores que compõem o complexo do santuário de Afrassíabe, a área da cidadela de Samarcanda e o coração da cidade anterior à invasão mongol, Cutame é geralmente referido como Xá-i Zinda, "príncipe vivo", ou Xá-i Javanã, "príncipe dos jovens"; e Igor Ivanovich Rempel sugeriu que Cutame é uma figura sincrética que incorpora elementos do profeta islâmico e de Siauascis e de outros heróis antigos iranianos.

O santuário floresceu e foi ampliado nos períodos caracânida e seljúcida, formando-se ali um complexo inteiro; e durante o sultanato de Amade Sanjar , provavelmente nos anos 520/1130, foi fundada uma madraça chamada Cutamia. Quando Ibne Batuta visitou Samarcanda dois séculos mais tarde, no reinado do chagataída , encontrou o santuário ricamente ornamentado e muito frequentado pela população local de Samarcanda, bem como pelos tártaros da região. Havia ali uma zauia, ou hospedaria, anexa, destinada a peregrinos e viajantes; e um descendente dos abássidas, o emir Guiatadim Maomé ibne Abede Alcadir, trineto do penúltimo califa de Baguedade, , que havia migrado do Iraque para a Transoxiana, atuava como nazir, ou superintendente, do santuário. O santuário continuou a atrair o patrocínio real, inclusive dos timúridas; um mausoléu, possivelmente atribuível a Cutlugue Aca, uma das esposas de Tamerlão, foi construído em 762/1361, e no século seguinte Ulugue Begue realizou novas adições. De fato, modificações continuaram a ser feitas até o início do .

Bibliografia

Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Primos de Maomé Categoria:Governadores de Meca do Califado Ortodoxo Categoria:Governadores de Medina do Califado Ortodoxo Categoria:Haxemitas (clã coraixita) Categoria:Hilálios Categoria:Primos de Ali