Marcos Pereira Magalhães Marcos Pereira Magalhães (Rio de Janeiro - RJ, 30 de agosto de 1955) é um arqueólogo e pesquisador brasileiro, com formação em Ciências Sociais, História e Filosofia, que atua na Arqueologia amazônica, especialmente no estudo da história indígena na longa duração (entre o Holoceno inicial e o médio) e na antropogênese dos ecossistemas amazônicos.76ª Reunião Anual da SBPC – Belém (PA), 7 a 13 de julho de 2024. Homepage do Galoá Ciência – Eventos.Marcos Pereira Magalhães. ResearchGate.SCOLES. Ricardo. Do rio Madeira ao rio Trombetas: novas evidências ecológicas e históricas da origem antrópica dos castanhais amazônicos. Novos Cadernos NAEA, v. 14, n. 2, p. 265-282, dez. 2011, ISSN 1516-6481.Caçadores-coletores viveram na Amazônia há mais de 10 mil anos. Revista Aventuras da História, 26 de abril de 2019.
Ao longo da carreira, Magalhães publicou vários livros e artigos científicos sobre os temas de seus estudos. Seu primeiro livro de arqueologia foi O Tempo Arqueológico, de 1993.Achado leva a nova teoria da ocupação antiga da Amazônia. Jornal O Estado de S. Paulo, 16 de abril de 1994. P. A22. Em seguida veio o Arqueologia de Carajás: a presença pré-histórica do homem na Amazônia, de 1994.MAGALHÃES, Marcos Pereira. Arqueologia de Carajás: a presença pré-histórica do homem na Amazônia. Google Acadêmico, 1994. Acesso em 6 de agosto de 2025.MAGALHÃES, Marcos Pereira. Arqueologia de Carajás: a presença pré-histórica do homem na Amazônia. Belém. Companhia Vale do Rio Doce, 1994. ISBN 9788585377120.Arqueologia em Carajás (PA) foi debatida por estudantes e pesquisadores. Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação, 3 de fevereiro de 2022. Tanto o Tempo Arqueológico quanto o Phýsis da Origem: o sentido da história na Amazônia, sua tese publicada em 2005, apresentam uma perspectiva profundamente relacionada com a natureza física da vida.
Foi nesses dois livros, no Amazônia Antropogênica, de 2016, e no A Humanidade e a Amazônia: 11 mil anos de evolução histórica em Carajás, de 2018,MAGALHÃES, Marcos Pereira (organizador). A Humanidade e a Amazônia: 11 mil anos de história em Carajás. Belém: MPEG 2018. ISBN:. 978-85-61377-95-3 que ele apresenta a nova antologia cronológica do tempo histórico e, também, a importância das populações ancestrais na formação da natureza amazônica conhecida.Lançamento do livro "Amazônia Antropogênica". Homepage da Sociedade Brasileira de Arqueologia, 16 de junho de 2016. Acesso em 6 de agosto de 2025. Além desses livros escreveu diversos capítulos em diferentes publicações e dezenas de artigos científicos. Esses artigos abordam arqueologia da paisagem, história, ecologia histórica, etnobotânica, pedologia, decolonialidade, antropoceno, física e matemática.O Antropoceno e a Amazônia: O conhecimento indígena como resistência ao modelo econômico vigente. (Conferência). 76ª Reunião Anual da SBPC. Belém, 7 a 13 de julho de 2024.
Contribuições teóricas Magalhães tem contribuído para o desenvolvimento de uma teoria arqueológica com base na experiência amazônica, enfatizando os conceitos de longa duração na história indígena, antropogênese das paisagens e e do Antropoceno na Amazônia. Suas formulações teóricas buscam compreender a cronologia da história indígena sob a perspectiva de seus próprios processos históricos, considerando as formas pelas quais os povos nativos interagiram com o meio ambiente e moldaram os ecossistemas e suas sociedades ao longo de milênios. Mais recentemente vem trabalhando com conceitos das teorias decoloniais e empregando a "trigonotopologia" na interpretação dos fatos sociais.
Biografia
Marcos Pereira Magalhães graduou-se em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 1981. No mesmo período, iniciou sua formação em arqueologia por meio de cursos de aperfeiçoamento e especialização promovidos pelo Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB), onde participou de diversas atividades de campo e laboratório entre 1977 e 1981.
Em 1990, concluiu o mestrado em História Antiga e Medieval na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com a dissertação intitulada Oito mil anos antes do Presente, sob orientação de Ondemar Dias Junior.MAGALHÃES, Marcos Pereira. Oito mil anos antes do presente. 1989. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.MAGALHÃES, Marcos Pereira. Oito Mil Anos antes do Presente. Catálogo de Teses e Dissertações.
Iniciou uma graduação em filosofia, que foi interrompida em 1998, mas estudou de modo independente com os professores Cláudio Ulpiano (UERJ e UFF) e com Benedito Nunes, da Universidade Federal do Pará (UFPA), os pré-socráticos, Aristóteles, Espinosa, Nietzsche, Kant, Foucault, Deleuze e outros, aprofundando-se em temas como filosofia da diferença, ontologia, epistemologia e poética do discurso. O resultado disto tudo foi a publicação do livro O Tempo Arqueológico.REIS, José Alberione dos. Prolegômenos sobre teoria na Arqueologia. Diálogos, DHI/UEM, v. 6. p. 173-186, 2002.
Obteve o doutorado em História Social também pela UFRJ, com a tese A Physis da Origem, defendida em 1998 e orientada por Arno Wehling, e depois transformada em livro, na qual abordou a Amazônia e a história antiga dos povos indígenas sob uma perspectiva teórica crítica.MAGALHÃES, Marcos Pereira. A Physis da origem: O sentido da história na Amazônia. Belém. Editora MPEG, 2005. ISBN 9788570981264. Sua tese foi voltada para o estudo das sociedades caçadoras-coletoras segundo seus próprios processos históricos, sendo um dos primeiros a estudá-las, consolidando este campo de estudos da arqueologia da Amazônia.Em Carajás, estudos comprovam a origem antrópica da floresta amazônica. Homepage do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. Acesso em 6 de agosto de 2025.<ref>MAGALHÃES, Marcos Pereira. A Phýsis da Origem''. Catálogo de Teses e Dissertações.</ref>
Atuação profissional
Em 1983, Magalhães foi convidado para ser assistente de pesquisa em arqueologia no Projeto Arqueológico Carajás, então coordenado por Mário Simões, pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi.SIMÕES, M.F.. Salvamento Arqueológico em Carajás (PA). In: Teixeira J.B.G & Beisiegel, V. de R. Carajás: desafio político, ecológico e desenvolvimento. São Paul, CNPq/Brasiliense, 1996 Ele mudou-se então para Belém e começou a trabalhar como assistente de Simões.
Em 1986, tornou-se pesquisador no Museu Goeldi, no qual está até hoje. Lá coordenou diversos projetos e o curso de mestrado em Diversidade Sociocultural (2020/2024). O projeto principal foi a continuação das pesquisas arqueológicas em Carajás, que, intermitentemente, duraram até 2016. Os estudos desenvolvidos, até então únicos na Amazônia, focaram restos arqueológicos (líticos e orgânicos) de antigas populações caçadoras-coletoras.Arqueologia de Carajás, o valor da história será tema de seminário. Homepage da Prefeitura de Parauapebas, 5 de abril de 2022. Acesso em 6 de agosto de 2025.
Foram feitos diversos avanços, como: a definição do início da colonização bem sucedida da Amazônia, datada do final do Pleistoceno, cerca de 12.000 anos atrás; o conhecimento de que as populações pioneiras foram as responsáveis pelo início do manejo dos ecossistemas amazônicos, da domesticação e cultivo de plantas e da produção de cerâmica; e ainda, que foram essas populações pioneiras as responsáveis por iniciarem a transformação das florestas naturais em ambientes antropizados superabundantes.
Atuação em artes Além da arqueologia, Marcos Pereira Magalhães desenvolve atividades nas artes, especialmente em poesia e teatro. Possui publicações de poemas e experiências ligadas à criação cênica, com abordagens filosóficas e antropológicas que se conectam com sua atuação científica. Essa dimensão artística integra-se à sua visão de arqueologia como um discurso poético e interpretativo da história humana.GAIA, Ona. Heavy Poema. São Paulo: Editora Blocos, 1993
Magalhães é autor independente de diversos livros de poesia, desde os anos 1980, com os codinomes Marco Tupinambá, Marco Gê, Ona Gaia ou Onna Agaia. Em Belém, desde o início dos anos 2000, como integrante do grupo Malta de Poetas Folhas & Ervas, publicou quatro livros, sendo o mais recente o 30 anos on line, o Livro a Malta de Poetas Folhas e Ervas IV.SIQUEIRA et al. 30 anos on line, o Livro a Malta de Poetas Folhas e Ervas IV, Belém: Editora Paka-Tatu, 2022
Aliando poesia, música e encenação, ele e a Malta também produziram vários espetáculos, entre os quais Heavy Poema Rock (com uma banda cover de Heavy Metal) e Pânico Poema Show, ambos no Teatro Waldemar Henrique, em Belém.Marcos Pereira Magalhães. Recanto das Letras.BARRIGA, Cecília P. Mala sem Fundo: processos de criação lúdico-poética da artista Heliana Barriga. 2013. Dissertação de Mestrado, UFPA, Belém.
Publicações selecionadas SANTOS RS, ALBERNAZ ALKM, COELHO-FERREIRA M, LIMA PGC & MAGALHÃES MP. 2026. The influence of ancient human occupation on the floristic composition of archaeological sites in Serra de Carajás, Pará, Brazil. An Acad Bras Cienc 98:e20250265. DOI 10.1590/0001-3765202620250265. MAGALHÃES, Marcos Pereira. Topologia da decolonialidade na Amazônia. Revista DCS, volume 23, n. 91, pg. 01/26. 2026. DOI: https://doi.org/10.54899/dcs.v23i91.5983 MAGALHÃES, Marcos Pereira. Applied trigonotopology: defining a four-dimensional function to collapse the space between distant points. Revista TF, volume 23, edição 149, agosto de 2025. DOI: https://revistaft.com.br/applied-trigonotopology-defining-a-four-dimensional-function-to-collapse-the-space-between-distant-points/#:~:text=10.69849/revistaft/dt10202508270903 Magalhães, M. P., Maia, R. R., & Paiva, J. M. R. de. (2025). Todo Antropoceno se desfaz na restauração da Amazônia ancestral. Revista Políticas Públicas & Cidades, 14(7), e2462. https://doi.org/10.23900/2359-1552v14n7-31-2025. MAGALHÃES, Marcos Pereira. O tempo arqueológico. Ministério da Ciência e Tecnologia. The New York Public Library. 10 de janeiro de 2020. ISBN. 8570980361, 9788570980366 MAGALHÃES, Marcos Pereira. Arqueologia de Carajás: a presença pré-histórica do homem na Amazônia. Belém. Companhia Vale do Rio Doce, 1994. ISBN 9788585377120. MAGALHÃES, Marcos Pereira. A Physis da origem: O sentido da história na Amazônia. Belém. Editora MPEG, 2005. ISBN 9788570981264. MAGALHÃES, Marcos Pereira (organizador). Amazônia antropogênica. Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi, 2016. ISBN 978-85-61377-82-3 MAGALHÃES, Marcos Pereira (organizador). A Humanidade e a Amazônia: 11 mil anos de história em Carajás. Belém: MPEG 2018. ISBN:. 978-85-61377-95-3. MAGALHÃES, Marcos Pereira, et al. O Holoceno inferior e a antropogênese amazônica na longa história indígena da Amazônia oriental (Carajás, Pará, Brasil). Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, v. 14, n. 2, p. 291-325, maio-ago. http://dx.doi.org/10.1590/1981.81222019000200004. MAGALHÃES, Marcos Pereira. Evolução antropomorfa da Amazônia. Revista de História da Arte e da Cultura, Campinas, SP, n. 12, p. 5–38, 2021. Acesso em 6 de agosto de 2025. SANTOS, Ronize da Silva; LIMA, Pedro Glécio Costa; SILVA, Karen Cibelle Lameira da; COELHO-FERREIRA, Márlia & MAGALHÃES, Marcos Pereira. Plantas úteis da Serra de Carajás: espécies associadas a sítios arqueológicos. Belém: MPEG, 2019. ISBN: 978-65-5000-002-8. MAGALHÃES, Marcos Pereira, et al. Evidence confirms an anthropic origin of Amazonian Dark Earths. Revista Nature. 17 de junho de 2022. MAGALHÃES, Marcos Pereira. Natureza selvagem e natureza antropogênica na Amazônia Neotropical, no livro de PEREIRA, Edithe & GUAPINDAIA, Vera (org.). Arqueologia Amazônica 1. Belém: MPEG ; IPHAN ; SECULT, 2010. v.1. ISBN 9788561377212.MAGALHÃES, Marcos Pereira. Mudanças antropogênicas e evolução das paisagens na Amazônia. Recanto das Letras, 2008.