Luís Lopes Vieira de Castro (Funchal, 10 de maio de 1898 – Lisboa, 7 de novembro de 1954) foi um escritor, jornalista e deputado português.

Biografia Luís Lopes Vieira de Castro nasceu no Funchal, a 10 de maio de 1898, e faleceu em Lisboa, na manhã de 7 de novembro de 1954, onde residia desde 1939. Era filho do banqueiro Henrique Augusto Vieira de Castro e de D. Alegria Adida Vieira de Castro, e irmão de António Vieira de Castro e de D. Carolina Vieira de Castro Rocha Machado. Foi casado com Lídia Buzagllo Vieira de Castro, com quem teve duas filhas, D. Maria Eugénia Vieira de Castro e D. Maria Teresa Vieira de Castro Pinto Leite.

Frequentou o liceu no Funchal e, em 1914, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, mudando-se, em 1919, para a Universidade de Lisboa, onde concluiu a sua licenciatura. Ainda estudante, participou ativamente em manifestações políticas e literárias, tendo sido um dos primeiros adeptos do Integralismo Lusitano e, no mesmo ano, fundou a revista Ícaro, uma revista portuguesa dedicada à poesia e à prosa.

Vida Profissional A atividade académica e profissional de Luís Lopes Vieira de Castro refletiu um envolvimento amplo com a política, o jornalismo e a reflexão histórica, deixando contributos relevantes para a compreensão da vida pública portuguesa durante a primeira metade do século XX. Carreira Jornalística e Atividade Política Luís Lopes Vieira de Castro assumiu um papel significativo na comunicação social da ilha da Madeira quando, em 1923, fundou e dirigiu o Jornal da Madeira, retomando um projeto editorial que já existira entre 1906 e 1910, com o nome "O Jornal", que voltou a ser utilizado em 1927.

Em 1925, em função da sua carreira político-administrativa, foi eleito deputado na terra que o viu nascer, pela oposição monárquica, nas eleições da Madeira, invalidadas posteriormente.

Já em agosto de 1927, mantendo-se alinhado com as suas convicções políticas, tornou-se membro do Concelho Superior da Causa Monárquica e foi presidente da direção do Centro Monárquico da Madeira.

Em 1928 dirigiu o Correio da Madeira, o Diário Nacional e o Correio da Manhã, tendo colaborado durante toda a sua carreira com jornais como o Diário de Notícias, O Povo, O Desporto, A Voz, Novidades e O Século, na cidade de Lisboa. Fundou e conduziu também alguns jornais académicos de teor doutrinal monárquico como o Pátria Nova, o Restauração e a revista Nova Fénix Renascida.

Os artigos que produziu abrangeram temas ligados à direção do Correio da Manhã, jornal no qual ocupou um papel de destaque, acompanhando debates centrais da política nacional. Entre os assuntos por ele expostos encontra-se a ascensão e posterior consolidação do governo de António de Oliveira Salazar, analisando tanto a reconfiguração do sistema político português como o reforço institucional do Estado Novo.

Escreveu igualmente sobre a partilha das colónias abordando quer as tensões diplomáticas, quer a relevância estratégica dos territórios ultramarinos para a identidade nacional. Outro episódio frequentemente referido nos seus textos é a revolução de 1931, que marcou a vida política portuguesa, sobretudo nos arquipélagos atlânticos, e cuja interpretação Vieira de Castro enquadrou no quadro mais amplo das disputas ideológicas e administrativas da época.

No domínio literário, a sua escrita revela aspetos da sua atividade profissional, permitindo compreender a forma como articulava intervenção pública, prática jornalística e reflexão intelectual. Atribuindo especial atenção à obra de Antero de Quental, produziu reflexões críticas que articulavam pensamento histórico, filosofia política e cultura portuguesa.

A partir do ano de 1940, Vieira de Castro entrou num período de diversas intervenções políticas. Nesse mesmo ano, foi nomeado por Salazar Vogal da Junta de Crédito Público, instituição na qual viria a assumir a presidência. Ainda em 1940, integrou a Comissão dos Centenários, onde desempenhou um papel central na organização do Congresso do Mundo Português, realizado simultaneamente com a Exposição do Mundo Português. A participação de Vieira de Castro evidenciou o seu papel na construção do discurso histórico e identitário promovido pelo regime.

Nesta onda de participação no mundo político, o jornalista foi deputado da Assembleia Nacional nas legislaturas de 1942 e de 1945, voltando ao partido no qual fez a sua primeira aparição política em 1925.

Paralelamente, integrou instituições de relevo cultural e científico, como a Academia Portuguesa de História, o Instituto Português de Arqueologia e Etnografia e a Sociedade Histórica da Independência de Portugal, contribuindo para o debate académico e para a preservação da memória nacional.

Foi condecorado com a Medalha do Rei, atribuída por um monarca britânico, Rei Jorge VI (1936-1952) no século XX. A entrega da respetiva medalha foi feita pelo Embaixador Britânico em Lisboa, no dia 17 de dezembro de 1947. A atribuição desta condecoração é regularmente mencionada como parte da sua projeção cultural e do reconhecimento do seu trabalho intelectual.

Vieira de Castro escreveu vários livros e ensaios, que abordam temas como a história de Portugal, vida política nacional e internacional e defesa de ideias de carácter monárquico. A partir do início do ano de 2025, grande parte da sua obra passou a estar em domínio público, encontrando-se disponibilizada pela Direção Regional do Arquivo e Biblioteca da Madeira (DRABL).

Entre os vários títulos destaca-se Limbo: com uma carta de Luiza Grande, frequentemente referida como uma das suas obras mais representativas.

As suas obras foram escritas num contexto de intensa disputa ideológica em Portugal, dessa forma contribuindo para a afirmação de uma linha de pensamento monárquico que se manteve ativa durante o debate público do século XX.

No âmbito da imprensa, Vieira de Castro teve um vínculo a publicações de orientação política, especialmente no contexto madeirense, o que fortaleceu a sua presença no cenário intelectual e regional. É ainda lembrado como um dos autores que procuram articular tradição histórica, reflexão política e identidade nacional, permanecendo ligado à vertente monárquica e ao meio cultural da Madeira.

Obras

A Europa e a república portuguesa

A formação de Portugal A hora internacional e a nacionalidade portuguesa A noiva de dois reis D. Carlos I Em pé de guerra Homens e livros

Referências

Categoria:Deputados de Portugal Categoria:Escritores de Portugal do século XX Categoria:Escritores da Madeira Categoria:Jornalistas de Portugal do século XX Categoria:Biografias