Camille Kachani (Beirute, 28 de outubro de 1963) é um artista visual libanês-brasileiro, radicado em São Paulo. Sua produção se concentra em esculturas, objetos e instalações que combinam mobiliário e utensílios domésticos com elementos vegetais, abordando de modo alegórico as relações entre natureza e cultura, memória e história social. Suas obras integram acervos de instituições como o Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC-PR) e o Itaú Cultural, e o artista participou de exposições no Paço das Artes, no Museum of Latin American Art (MoLAA), em Los Angeles, e em mostras na América Latina e na Europa.

Kachani é tema de textos críticos em publicações brasileiras e internacionais, como a Revista Continente, a revista digital Artsoul, o blog Colossal e o portal de design Designboom.

Biografia e formação Kachani nasceu em 1963, em Beirute, em uma família síria em situação de deslocamento. Na década de 1970, mudou-se ainda criança para o Brasil, onde se estabeleceu em São Paulo.

O artista possui formação em fotografia e pintura, além de estudos em Economia e História, combinando interesses visuais e teóricos em sua trajetória. Ele iniciou a carreira artística como fotógrafo e, posteriormente, passou a trabalhar com pintura e desenho antes de desenvolver a linguagem tridimensional pela qual se tornou mais conhecido.

Em 2004, o MAC-PR apresentou a exposição Música para os olhos – Camille Kachani, que reuniu trabalhos da série Elvis morreu e consolidou a presença do artista no acervo da instituição. Em 2007, a plataforma MaPA – ligada ao Paço das Artes – destacou a exposição Golem na Temporada de Projetos, acompanhada de texto crítico de Daniela Castro sobre a dimensão do abjeto na obra de Kachani.

Obra A produção de Kachani se desdobra em esculturas, objetos e instalações que frequentemente partem de móveis, livros, instrumentos musicais e utensílios domésticos, aos quais são acoplados galhos, folhas, raízes e outros elementos vegetais reais ou simulados. Esses trabalhos criam a sensação de objetos metamórficos, em processo de transformação contínua entre matéria natural e artefato cultural.

Textos críticos destacam que, ao fundir plantas e mobiliário, o artista tensiona fronteiras entre o que é entendido como “natural” e o que é produzido pela cultura, deixando em aberto se a natureza estaria retomando o controle sobre os objetos ou se estes estariam absorvendo a matéria orgânica para cumprir novas funções simbólicas. Em séries como Invisíveis e Golem, o artista também recorre a pelúcia e materiais sintéticos para recriar caçambas de lixo, engradados e automóveis, deslocando resíduos da cultura do excesso para um campo de estranhamento tátil e estético.

A série Elvis morreu, iniciada em 2002, utiliza componentes eletrônicos para formar retratos do músico Elvis Presley, refletindo sobre memória, cultura de massa e obsolescência tecnológica.

Temas e abordagem A condição de estrangeiro e a experiência do exílio são apontadas como elementos importantes para a compreensão da poética de Kachani. Sua obra articula questões de pertencimento, deslocamento e apagamento histórico, frequentemente por meio de narrativas visuais que tratam de restos, resíduos e objetos marginalizados – tanto da natureza quanto da vida urbana.

A partir da década de 2020, o artista aprofunda o interesse por referências históricas e cartográficas, utilizando mapas, bandeiras e símbolos nacionais para interrogar a construção da “história oficial” do Brasil. Na exposição Uma Contra-História do Brasil (2025), em São Paulo, Kachani apresenta obras que justapõem objetos coloniais, elementos do artesanato afro-ameríndio e fragmentos de mapas, propondo leituras alternativas sobre o processo formativo do país.

Críticos relacionam seu trabalho a debates sobre o abjeto, a cultura do excesso e a ressignificação de materiais descartados, bem como ao campo expandido entre escultura, instalação e objeto de design.

Exposições selecionadas A Enciclopédia Itaú Cultural, o MaPA e outras fontes registram exposições individuais e coletivas de Kachani desde o início dos anos 2000.

Individuais (seleção) 2004 – Música para os olhos – Camille Kachani, Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba, PR. 2007 – Golem, Temporada de Projetos, Paço das Artes, São Paulo, SP. 2010 – Camille Kachani: objetos, Galeria Anna Maria Niemeyer, Rio de Janeiro, RJ. 2023 – Orquestra Assinfônica Fotossintética, Zipper Galeria, São Paulo, SP. 2025 – Adiar o fim do mundo, curadoria de Ailton Krenak e Paulo Herkenhoff, FGV Arte, Rio de Janeiro, RJ. 2025 – Uma Contra-História do Brasil, Zipper Galeria, São Paulo, SP.

Coletivas e participações internacionais (seleção) 2001 – Participação em exposição na NOHO Gallery, Nova Iorque, Estados Unidos. 2004 – Participação em mostra no Museum of Latin American Art (MoLAA), Los Angeles, Estados Unidos. 2004 – I Salão Aberto – Paralelo à XXVI Bienal Internacional de São Paulo, São Paulo, SP. 2005 – VII Salón de Arte Digital de La Habana, Havana, Cuba. 2006 – XIV Biennale Internationale de l’Image, Nancy, França. 2006 – Água Corrente, Centro Cultural São Paulo, SP. 2007 – Participação com a Galeria Thomas Cohn na feira ArteBA, Buenos Aires, Argentina.

Coleções institucionais Informações sobre coleções institucionais que abrigam obras de Camille Kachani constam em seu currículo profissional e em registros de acervos de museus.

MAR – Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, Brasil MAM/SP – Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo, Brasil MAC/USP – Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil MAC Niterói – Coleção João Sattamini, Niterói, Brasil MAM Rio – Coleção Gilberto Chateaubriand, Rio de Janeiro, Brasil MAC Paraná – Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba, Brasil MARP – Museu de Arte de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto, Brasil MoLAA – Museum of Latin American Art, Los Angeles, EUA Fundación Otazu, Navarra, Espanha Colección Metropolitana Contemporánea, Buenos Aires, Argentina Centro de Arte Contemporáneo Wifredo Lam, Havana, Cuba Fundação Joaquim Nabuco, Recife, Brasil Instituto de Arte Contemporânea (UFPE), Recife, Brasil Universidade Federal de Santa Catarina – Acervo, Florianópolis, Brasil Casa do Olhar – Acervo da Prefeitura de Santo André, Santo André, Brasil

Prêmios A lista de prêmios concedidos ao artista aparece em seu currículo e em registros de salões de arte e editais públicos.

2007 – Prêmio Aquisição, Edital Bienal Salão Paranaense, Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba, Brasil 2005 – Prêmio Espaços de Artes Visuais, Funarte, São Paulo, Brasil 2003 – Prêmio Aquisição, 31º Salão de Arte Contemporânea de Santo André, Santo André, Brasil 2002 – Prêmio Aquisição, 9º Salão de Arte Contemporânea de São Bernardo do Campo, São Bernardo do Campo, Brasil 2001 – Prêmio Governador Mário Covas, Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil

Recepção crítica e circulação A obra de Camille Kachani tem sido discutida em veículos especializados e de grande circulação. A Revista Continente publicou um perfil do artista ressaltando o uso de objetos e resíduos do cotidiano como matéria de investigação poética. Plataformas internacionais como Colossal e Designboom destacaram suas esculturas em que plantas parecem brotar de móveis e utensílios domésticos, sublinhando a dimensão lúdica e inquietante dessas metamorfoses.

No contexto brasileiro, o MaPA, vinculado ao Paço das Artes, e a Enciclopédia Itaú Cultural documentam suas exposições e obras em acervo, contribuindo para a consolidação de sua trajetória no circuito de arte contemporânea. A mostra Uma Contra-História do Brasil (2025), realizada em São Paulo, foi objeto de textos em veículos como a revista Philos e a plataforma Artsoul, que enfatizam o diálogo da exposição com debates sobre história, cartografia e representação das populações marginalizadas.

Bibliografia FABRIS, Annateresa (org.). Arte de mim.... Catálogo da exposição, Museu de Arte Contemporânea do Paraná, 2003. PUTON, Jean-Pierre. Catálogo XIV Biennale Internationale de l'Image. Nancy, 2006. FABRIS, Annateresa. “O corpo estilhaçado”. In: Arte, crítica e mundialização. São Paulo: Imprensa Oficial, 2007, p. 227–236. BOUSSO, Daniela; ARANTES, Priscila. Produção, reflexão, memória. São Paulo, 2010. Artes visuais: Camille Kachani. Documentário, SescTV, agosto de 2011.

Categoria:Escultores do Brasil Categoria:Artistas plásticos do Brasil Categoria:Artistas contemporâneos do Brasil Categoria:Artistas do Líbano Categoria:Brasileiros de ascendência libanesa Categoria:Naturais de Beirute