O Caso Kerollyn refere-se à morte da menina Kerollyn Souza Ferreira, de nove anos, cujo corpo foi encontrado em 9 de agosto de 2024 dentro de um contêiner de lixo no município de Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, estado do Rio Grande do Sul, Brasil. O caso teve grande repercussão nacional e reacendeu debates sobre falhas na rede de proteção à infância no país.

Antecedentes Kerollyn vivia com a mãe, Carla Carolina Abreu Souza, e os irmãos em Guaíba. O pai da menina residia em Santa Catarina e, segundo reportagens, mantinha pouco contato com a filha.

Desde outubro de 2023, o Conselho Tutelar de Guaíba acompanhava a família devido a denúncias de negligência e violação de direitos da criança. Foram realizadas intervenções psicossociais, mas o acompanhamento foi interrompido pela mãe.

Em relatos feitos na escola, Kerollyn contou que era agredida, passava frio e fome, e não recebia os cuidados necessários. Professores e funcionários confirmaram os relatos posteriormente à polícia.

Descoberta do corpo Na manhã de 9 de agosto de 2024, o corpo da menina foi encontrado dentro de um contêiner de lixo na Rua 6, no bairro Cohab Santa Rita, próximo a uma escola. Moradores acionaram a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros após perceberem algo suspeito no local.

O laudo pericial apontou a presença de clonazepam, um medicamento de uso controlado, e indicou que a morte pode ter sido causada por uma combinação entre sedação, frio e falta de assistência. Não foram encontrados indícios de violência sexual.

Investigação As investigações apontaram que a mãe teria administrado o medicamento à filha sem prescrição médica e, em seguida, deixado a criança desacordada. Durante a noite, Kerollyn saiu de casa e acabou falecendo dentro do contêiner.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou a mãe por homicídio doloso qualificado e maus-tratos contra Kerollyn e seus irmãos. O pai foi denunciado por abandono material.

Em setembro de 2024, a Justiça aceitou a denúncia, e o processo passou a tramitar sob segredo de justiça. Até outubro de 2025, mais de 40 testemunhas haviam sido ouvidas.

Repercussão O caso causou grande comoção pública e gerou debates sobre a eficácia da rede de proteção à infância no estado. Diversas entidades e parlamentares criticaram a atuação do Conselho Tutelar, da escola e dos órgãos municipais, apontando falhas no acompanhamento da situação de risco.

Campanhas e vigílias foram realizadas em Guaíba e Porto Alegre, pedindo maior estrutura para o atendimento social e psicológico de famílias vulneráveis.

Importância O Caso Kerollyn tornou-se símbolo das falhas estruturais na proteção de crianças em situação de vulnerabilidade no Brasil. O episódio reforçou a necessidade de integração entre os serviços de assistência social, educação, saúde e justiça, e reacendeu o debate sobre a responsabilidade institucional em casos de negligência e omissão.

Ver também Conselho Tutelar Estatuto da Criança e do Adolescente Violência infantil no Brasil Direitos da criança no Brasil

Referências

Categoria:2024 no Rio Grande do Sul Categoria:Guaíba Categoria:Crimes no Brasil em 2024 Categoria:Assassinatos de crianças no Brasil