Maurice Félix Byé (Marselha, 30 de novembro de 1905 – 6 de maio de 1968) foi um economista e professor universitário francês. Sua obra, afinada com a de François Perroux e inscrita nos campos da economia e das relações internacionais, tem como principais temas a globalização, o comércio internacional e o subdesenvolvimento. Foi o orientador da tese de doutoramento do economista paraibano Celso Furtado.
Biografia Doutorou-se em 1928 pela Universidade de Lyon com uma tese sobre a lei dos rendimentos decrescentes, a qual incluía uma detalhada análise da evolução daquela teoria, desde os romanos até os pensadores modernos. Iniciou o magistério em 1931, ocupando a cátedra de economia da Faculdade de Direito de Toulouse. Em meados da década, encontrava-se associado ao Partido Democrático Popular, que congregava democratas-cristãos contrários tanto ao fascismo quanto ao comunismo.
Em 1937, foi enviado ao Brasil pelo governo francês como parte de uma ''missão acadêmica'' - da qual também participaram Claude Lévi-Strauss e Fernand Braudel -, que visava aprofundar os laços culturais e intelectuais entre os dois países. No Rio de Janeiro, lecionou na Faculdade Nacional de Filosofia e travou contato com o engenheiro Eugênio Gudin, com quem manteve ao longo da vida um rico e profundo intercâmbio de ideias. Após a conquista alemã da França, Byé retornou à sua terra natal para combater o nazismo ao lado das forças de libertação francesas.
No pós-guerra, foi contratado como discente do programa de pós-graduação da Universidade de Paris, onde dirigiu a tese do jovem economista Celso Furtado, intitulada L'économie coloniale brésilienne, que mais tarde serviria de base ao clássico Formação Econômica do Brasil. Autor prolífico, deixou vasta obra acadêmica, ensaística e didática, em que se sobressaem seus manuais de referência sobre economia internacional.
Pensamento
A economia internacional Em sua análise da economia mundial, Byé realça as desigualdades de poder e riqueza existentes entre países, regiões e povos, chegando mesmo a afirmar que crescimento e desenvolvimento necessariamente causam desequilíbrios e assimetrias político-econômicas. Questionando a possibilidade de um mercado internacional autorregulado, o economista propõe a centralidade das organizações nacionais e internacionais na equilibração do desenvolvimento econômico mundial, de maneira que pudesse a ''sociedade humana'', e não somente a ''sociedade internacional'', ter seus interesses representados.
As empresas plurinacionais O conceito de ''grandes unidades interterritoriais'' é caro a Byé, pois serviu-lhe na explicação da natureza e da expansão das empresas multinacionais.
Obra
La Loi des rendements non proportionnels (Universidade de Lyon). 1928. Traité d'Économie Politique, Les cadres économiques, coescrito com Gaëtan Pirou. 1943 Cours d'économie politique (Universidade de Paris). 1948. Le pouvoir économique. 1949. Demain l'Europe sans frontières (Paris, éditions Plon). 1958. Manuel de relations économiques internationales (Dalloz Paris). 1965. Le Concept de sous-développement (escrito em colaboração com Jacques Freyssinet). 1966. Développement et sous-développement (escrito em colaboração com Celso Furtado). 1966. Les Firmes plurinationales. 1968 Les Problèmes économiques européens (Paris, éditions Cujas). 1970.
Referências
Categoria: Nascidos em 1905 Categoria: Mortos em 1968 Categoria:Naturais de Marselha
Ligações externas
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Categoria:Alunos da Universidade de Lyon Categoria:Economistas da França Categoria:Católicos da França Categoria:Professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro Categoria:Antifascistas da França