A Capela de Nossa Senhora da Penha de França, ou simplesmente Capela de Nossa Senhora da Penha, é um templo religioso católico localizado na Senhora da Hora, em Portugal.

A invocação Mariana de Nossa Senhora da Penha de França estendeu-se ao lugar da Senhora da Hora, sendo-lhe dedicado um templo localizado na parte traseira da Capela de Nossa Senhora da Hora. miniaturadaimagem|Capela de Nossa Senhora da Penha de França

História Segundo Sá Guerra, nos princípios do Século XVIII, a Capela de Nossa Senhora da Penha enquadrava-se na quinta da mesma onomástica, pertença de D. Maria Soares Sá, membro da Família Sá, do Senhorio de Bouças, casada com Pedro Gonçalves, aos quais pertencia também o padroado da aludida capela. Sucedeu-lhe na posse do templo o respetivo padroado sua filha D. Bernarda Joana Soares de Sá, que contraiu matrimónio em 1733 com João de Sousa Melo.

Os primeiros outorgantes, João de Sousa e Melo e esposa, D. Bernanarda de Sá e Melo, declararam ser proprietários, por título de prazo de vidas, de uma bouça de mato e terra de lavradio junto do templo de Nossa Senhora da Penha de França, no sítio das Sete Fontes, na Senhora da Hora.

Manuel de Sousa e Melo, consorciado com D. Ana Marcelina da Costa Cardoso, filho primogénito dos anteriores proprietários referenciados, sucedeu-lhes na quinta e padroado da capela. O filho destes, João Joaquim Cardoso de Sousa e Melo contraiu matrimónio com sua prima em primeiro grau, D. Bernarda Rita da Cunha Sottomayor e Teive dos Guimarães. A estes sucedeu seu filho, João de Sousa e Mello da Cunha Sottomayor, que pelo seu casamento em 1836 com D. Maria Rita da Madre de Deus Leite de Sousa Freire Salema de Saldanha e Noronha, 2ª Viscondessa de Veiros, recebeu também o título 2º Visconde de Veiros.

Se a Confraria de Nossa Senhora da Penha de França estava ou não instituída, não temos dela qualquer dado comprovativo, como aconteceu posteriormente com a regulamentada Confraria de Nossa Senhora da Hora e S. Bartolomeu. Em 1893 era proprietário da quinta o Dr. Fiel Pereira de AlmeidaLivro de Actas da Irmandade de Nossa Senhora da Hora e S. Bartolomeu, n.º 1, 1885-1893, pp.32v-33, posteriormente seus herdeiros. Em 1928, a capela pertencia aos herdeiros de Aníbal Peres Salgueiros.

Sabe-se que o referido templo pertenceu ao povo até 1758, mas aparece privado em 1928 potencialmente porque foi um consequente da Reforma de Mousinho da Silveira de 1832 e posteriormente do Decreto de 1834 de Joaquim António de Aguiar, em que foram extintas as Ordens Religiosas e venda dos bens do Clero, além de serem também abolidos os pequenos morgadios, foros, entre outros. Teria sido nesta altura, que foi vendida em hasta pública a particular. É possível que o seu primeiro orago foi São João Baptistaque no altar se encontra também em trono e em honra do qual era festejado o São João, patrocinado pela Irmandade de Nossa Senhora da Hora e São Bartolomeu.

Junto de cada uma das duas portas de entrada, voltadas uma para o adro nas Sete Bicas e outra para a Avenida da Nossa Senhora da Hora, há uma pia de água benta. Conforme consta em ata de 2 de Junho de 1928, a Irmandade de Nossa Senhora da Hora e São Bartolomeu foi dissolvida por Alvará do Governador do Distrito do Porto e nomeada uma outra em sua substituição pela mesma instituição e Reverendo Joaquim Gomes, capelão e Abade da freguesia eclesiástica de Nossa Senhora da Hora, assistida pelo sindicante aos atos da Mesa da Irmandade dissolvida, Abílio Augusto Taborda, que entregou aos membros da nova Comissão administrativa livros, dinheiro, inventário dos bens, pertencentes à Irmandade.

No dia 6 de Julho de 1928, foi apresentado pelo pároco atrás referido à nova Comissão um ofício, assinado por quatro Irmãos da Mesa da Irmandade dissolvida, nomeadamente Augusto d'Oliveira Barbosa, Joaquim da Silva Cidade, Artur Luís Barbosa e José Domingos d'Oliveira que a aludem. Pretendiam comprá-la por dezoito contos, mas como o seu orçamento não comportava tal quantia, e não era autorizada superiormente a fazê-lo, agiram de forma diferente, para não acontecer como em 1899, em que a Irmandade tencionava contrair um empréstimo de 3000 réis para aquisição da Quinta em frente da capela de Nossa Senhora da Hora, o que não foi exequível, por não ser autorizada, sendo posteriormente adquirida pela Empresa Fabril do Norte. Desta vez os Irmãos atrás mencionados e Joaquim Rodrigues Barbosa abonaram o dinheiro, adquiriram a capela, depararam com diversos obstáculos, burocracia e só mais tarde a doaram à Irmandade.

O Presidente da Comissão Administrativa da Irmandade da Senhora da Hora e São Bartolomeu do Concelho de Matosinhos, por Alvará de 26 de Abril de 1932, com autorização do Administrador do Concelho de Matosinhos, fez uma convocatória aos Irmãos para uma Assembleia Geral, a realizar em 2 de Abril de 1933, para se pronunciarem acerca das vantagens e desvantagens da passagem da capela de Nossa Senhora da Penha de França para património da Irmandade de Nossa Senhora da Hora e São Bartolomeu. O resultado foi positivo e a capela ficou finalmente a pertencer definitivamente à Irmandade, mas só depois desta data, enquanto que a quinta com habitação, continuou em carácter privado.

Características O altar em estilo Barroco, em talha dourada é requintado e exuberantemente ornamentado com motivos vegetais e anjos. Ao centro do altar, no trono, encontra-se a imagem de Nossa Senhora da Penha de França, com o Senhor do Sono aos pés. Seis colunas salomónicas ladeiam e separam as imagens de São Francisco e São João à direita da entrada, Senhor dos Passos e São Domingos, à esquerda. À direita da entrada principal, num pequeno altar em granito encontra-se Jesus crucificado, possivelmente reminiscência do Bom Jesus de Bouças. Na decoração, a Flor de Lis é uma constante.

No que concerne ao seu aspeto exterior, a sua traça é simples. Possui duas entradas, a principal para a Avenida de Nossa Senhora da Hora, a lateral para a Alameda cercada da Fonte das Sete Bicas. O seu frontispício é singelo, de linhas direitas, todo emoldurado em granito, assim como a porta, quatro janelas, duas de cada lado, uma na parte superior, outra na inferior em nicho, que encima o portal principal. É rematado por uma cruz, ladeada por dois pináculos, todos da mesma rocha.

Referências

Categoria:Senhora da Hora Categoria:Capelas no distrito do Porto Categoria:Património edificado em Matosinhos