miniaturadaimagem|Grupo de artistas e fundadores da Sociedade Promotora das Belas-Artes, c. 1862 A Sociedade Promotora das Belas Artes em Portugal foi uma associação cultural e artística fundada em Lisboa em 1861 com o objetivo de fomentar o gosto público pelas belas-artes, aproximar artistas e amadores e organizar exposições regulares de arte. Os seus estatutos foram aprovados em 10 de janeiro de 1860 e confirmados por D. Pedro V em 8 de agosto de 1861. A sua fundação seguiu o exemplo da mais antiga Sociedade dos Amigos das Artes (sediada no Porto), e marcou os inícios do associativismo artístico moderno em Lisboa, antecipando o papel que viria a ser desempenhado pela Sociedade Nacional de Belas Artes.
História A ideia de criar uma associação artística em Lisboa remonta a 1853, quando Manuel Maria Bordalo Pinheiro (1815–1880) redigiu o projeto de estatutos da então designada "Sociedade de Belas-Artes", destinada a estabelecer um salão permanente de exposição e venda de obras de arte e a organizar uma exposição anual. Essa proposta seria retomada por um grupo de artistas e amadores que, em 1861, fundou oficialmente a Sociedade Promotora das Belas Artes em Portugal.
A primeira assembleia geral realizou-se em 19 de dezembro de 1861, sob a presidência de D. Francisco de Melo, reunindo quarenta dos 179 associados. O Marquês de Sousa Holstein, vice-inspetor da Academia de Belas-Artes de Lisboa, foi o primeiro presidente efetivo e uma das figuras centrais da Promotora.
Objectivos e estatutos Nos seus estatutos, a Promotora definia como fins principais:
"Excitar a emulação entre os artistas portugueses"; "Propagar o conhecimento e o amor pelas artes"; "Facilitar a venda das obras de arte por meio de exposições públicas anuais"; "Proteger os artistas com a aquisição de objetos de arte expostos".
Os cargos diretivos eram distribuídos de forma paritária entre artistas e amadores. O modelo refletia o espírito de cooperação entre os dois grupos, embora o círculo restrito de membros revelasse um certo carácter de mecenatismo elitista.
Actividade A primeira exposição da Sociedade inaugurou-se a 25 de maio de 1862, nas dependências da Academia de Belas-Artes de Lisboa, sob o patrocínio de D. Luís I. A mostra contou com 78 obras, das quais 27 foram vendidas, o que demonstrou a capacidade da Promotora para dinamizar o mercado artístico. Em 1863 seguiu-se a segunda exposição, que consolidou a reputação da associação como o principal centro artístico da capital.
A Promotora criou também delegações em cidades como o Porto, Coimbra e Braga, nomeando representantes locais para alargar a rede de expositores e correspondentes.
Entre as suas iniciativas mais relevantes destacou-se a publicação, sob os auspícios do Marquês de Sousa Holstein, do estudo de J. C. Robinson sobre a *Antiga Escola Portuguesa de Pintura*, dedicado a Grão Vasco, entre 1866 e 1868.
Declínio A Sociedade Promotora conheceu um período de prosperidade entre 1862 e 1876, mas a partir da década de 1880 enfrentou dificuldades financeiras e artísticas. Sob a direção do Conde de Almedina (Delfim de Guedes), tentou modernizar a sua programação e abrir um centro de encontro permanente entre artistas e amadores. Contudo, as novas correntes estéticas representadas por Silva Porto e pelo Grupo do Leão evidenciaram o desfasamento da Promotora face à nova geração de pintores naturalistas. A 14.ª exposição, realizada em 1887, foi a última organizada pela associação, marcando o fim da sua atividade institucional.
Legado A Sociedade contribuiu para estabelecer o modelo de exposições anuais, incentivar o colecionismo e aproximar artistas e público num contexto moderno de mercado artístico. A sua influência estendeu-se também à criação de sociedades artísticas em outras cidades, como o Centro Artístico Portuense e o Ateneu Artístico Portuense. Em 1901, a Sociedade Promotora das Belas Artes em Portugal fundiu-se com o Grémio Artístico, dando origem à Sociedade Nacional de Belas Artes.
Ver também
Sociedade Nacional de Belas Artes Academia de Belas-Artes de Lisboa Centro Artístico Portuense Marquês de Sousa Holstein
Referências
Bibliografia
MONCÓVIO, Susana Maria Simões – O Centro Artístico Portuense (1880–1893). Tese de Doutoramento em História da Arte, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2014. Estatutos da Sociedade Promotora das Bellas-Artes em Portugal. Lisboa: Typographia de M. da Costa, 1863. Relatório e Contas da Sociedade Promotora das Bellas-Artes em Portugal no Ano Social de 1862–1863. Lisboa: Typographia Franco-Portugueza, 1863. ROBINSON, J. C. – A Escola Portugueza de Pintura. Lisboa: Typographia Universal, 1868. Sociedade Nacional de Belas Artes. Exposição Documental (1860–1951): Da Sociedade Promotora de Belas Artes e do Grémio Artístico à Sociedade Nacional de Belas Artes. Lisboa: SNBA, 1951.
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