Nightmare Alley é um film noir estadunidense de 1947 dirigido por Edmund Goulding a partir de um roteiro de Jules Furthman. Baseado no romance homônimo de 1946 de William Lindsay Gresham, o filme é estrelado por Tyrone Power, com Joan Blondell, Coleen Gray e Helen Walker em papéis de apoio. Desejando se afastar dos papéis românticos e de capa e espada que o tornaram famoso, Power pediu ao chefe do estúdio 20th Century-Fox, Darryl F. Zanuck, que comprasse os direitos do livro para que pudesse interpretar o anti-herói conhecido como "The Great Stanton", um ambicioso apresentador de carnaval.
O filme estreou nos Estados Unidos em 9 de outubro de 1947 e foi lançado em circuito amplo em 28 de outubro do mesmo ano, chegando posteriormente à Europa, onde teve seis lançamentos entre novembro de 1947 e maio de 1954.
Segundo o comentário em áudio de Alain Silver e James Ursini, Nightmare Alley foi incomum dentro do film noir por contar com astros de primeira linha, equipe técnica renomada e um orçamento relativamente alto. Apesar de não ter sido um sucesso financeiro em seu lançamento original, a obra foi reavaliada com o tempo, recebendo aclamação crítica e sendo considerada hoje um clássico do gênero.
Enredo O filme acompanha Stanton “Stan” Carlisle (Tyrone Power), um ambicioso jovem que trabalha em um circo itinerante. Fascinado pelos truques de leitura mental de Zeena (Joan Blondell) e seu marido alcoólatra Pete, Stan aprende os códigos secretos usados para simular poderes psíquicos. Quando Pete morre tragicamente, Stan vê uma oportunidade e passa a explorar esses truques por conta própria.
Casando-se com a colega Molly (Coleen Gray), ele abandona o circo e cria um espetáculo sofisticado em clubes de elite, alcançando fama como médium e “vidente”. Ambicioso, começa a enganar pessoas ricas com falsas sessões espíritas, auxiliado pela psicóloga Lilith Ritter (Helen Walker), que grava suas confissões e manipula Stan.
No auge, tenta realizar o perigoso “número do fantasma” para um magnata, mas o plano fracassa. Traído por Lilith e rejeitado por Molly, Stan entra em declínio, perdendo tudo. No final, completamente arruinado, ele aceita trabalhar em um circo novamente — desta vez como o “geek”, atração degradante em que o artista morde cabeças de galinha para entreter o público.
Elenco
Tyrone Power como Stanton "Stan" Carlisle Joan Blondell como Zeena Krumbein Coleen Gray como Molly Carlisle Helen Walker como Lilith Ritter Taylor Holmes como Ezra Grindle Mike Mazurki como Bruno Ian Keith como Pete Krumbein
Produção O ator Tyrone Power, desejando expandir além dos papéis românticos e swashbuckler que o trouxeram à fama, solicitou ao chefe de estúdio da 20th Century Fox, Darryl F. Zanuck, que comprasse os direitos do romance para que ele pudesse estrelá-lo. A Fox pagou US$ 50.000 em setembro de 1946 pelos direitos do romance de William Lindsay Gresham, e foi contratado como consultor para ajudar o roteirista Jules Furthman embora a extensão de sua contribuição para o roteiro não seja clara.
Em novembro de 1946, foi relatado que Mark Stevens e Anne Baxter estrelariam o filme e William Keighley seria o diretor. Em janeiro de 1947, Lloyd Bacon era o diretor relatado. Para tornar o longa-metragem mais crível, os produtores construíram um parque de diversões completo em dez acres (40.000 m²) do estúdio da 20th Century Fox. Eles também contrataram mais de 100 atrações de espetáculos secundários e pessoas do parque de diversões para adicionar ainda mais autenticidade. As filmagens também ocorreram na Feira do Condado de San Diego, em Del Mar, Califórnia. O final ligeiramente otimista, mas um tanto sombrio e ambíguo do filme foi adicionado pelo roteirista Furthman sob a direção de Zanuck, suavizando o final duro da obra original para fins comerciais. Recepção No lançamento original, Nightmare Alley recebeu críticas mistas e foi um fracasso de bilheteira. O The New York Times considerou que o filme tratava de forma pouco recompensadora um tema moral sombrio, apesar das boas atuações de Tyrone Power e do elenco.Pryor, Thomas M. (10 de outubro de 1947). "Nightmare Alley", The New York Times, crítica. Página acessada em 11 de março de 2008. Já a Variety elogiou a força do enredo e destacou a performance de Joan Blondell, Coleen Gray e Helen Walker.Fisk (15 de outubro de 1947). "Nightmare Alley", Variety. Página acessada em 2 de dezembro de 2015.
Críticos como James Agee, em The Nation e na Time, ressaltaram o equilíbrio de Edmund Goulding entre dureza e solenidade, bem como a solidez do elenco, especialmente Joan Blondell e Tyrone Power. Posteriormente, estudiosos como Eddie Muller destacaram sua singularidade dentro do film noir, por não conter gângsteres ou tiroteios, mas explorar a ambição e o fracasso ligados ao “sonho americano”.
Mais tarde, críticos como Pauline Kael, Leslie Halliwell e Leonard Maltin reconheceram o valor artístico do filme, elogiando a originalidade do material e a força do elenco. Hoje, Nightmare Alley é visto como "uma das joias do noir" e uma das melhores atuações de Power. O Rotten Tomatoes atribui retrospectivamente ao filme 88% de aprovação, com nota média de 7,7/10 sob o consenso: "Atuando contra o tipo com Nightmare Alley, Tyrone Power e Edmund Goulding entregam alguns de seus melhores trabalhos em um noir ambientado em um carnaval, sem medo de mostrar o verdadeiro desespero". Adaptação de 2021
Em 12 de dezembro de 2017, a Fox Searchlight Pictures anunciou que Guillermo del Toro dirigiria uma nova adaptação do romance, coescrevendo o roteiro com Kim Morgan. Em abril de 2019, Leonardo DiCaprio estava negociando para estrelar o filme de del Toro. No mês de agosto de 2019, foi relatado que Cate Blanchett estava negociando para coestrelar com Bradley Cooper no filme. Em 4 de setembro do mesmo ano, Rooney Mara foi escalada para o filme. As filmagens começaram em janeiro de 2020 e a produção terminou em dezembro de 2020. O filme foi lançado em 17 de dezembro de 2021.
O remake expande a narrativa, com 40 minutos a mais de duração e uma reestruturação que inicia em tom sombrio e simbólico. Com estética art déco e fotografia desaturada, o filme enfatiza a violência gráfica como a brutalidade do espetáculo do geek e retrata Stan (Bradley Cooper) como um anti-herói trágico cujo destino é inevitável. Diferente do original, o desfecho não aponta para reconciliação, mas para a condenação total, marcada pela frase final: “I was born for it”. Esta nova versão recebeu análises positivas da crítica especializada mas assim como a primeira versão não foi bem em bilheteria.
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